21 fevereiro 2006

As Três Adoráveis Mães

Ola amigos
Estamos colocando no ar a entrevista com as mães da Telma, do Rafael e da Sandra Ribeiro, que foram muito atuantes em nosso movimento para ingressar na Faculdade nos idos dos anos 60. Estivemos com elas em um cha extremamente agradavel na Modern Sound, em um encontro agendado pelo Rafael e pela sua esposa Eliane. Segue a síntes da entrevista com estas adoráveis e queridas pessoas, a quem admiramos tanto:
Sintese da entrevista com as Sras.:
Lize Bravo da Costa Ferreira, Lia Dell’Isolla e Lilia Almeida Ribeiro.

Data: 15/02/2006 Local: Modern Sound

Entrevistadores: JMMJ, APGB e PCXS.
Também presentes: Telma nossa querida colega e Eliane, esposa do Rafael.

Zezinho fala da admiração que nós, a turma, temos por elas e pelo trabalho que elas realizaram, responsável em grande parte pela realização de nossos sonhos.

Souberam do movimento através dos filhos e se reuniam diariamente no pátio do MEC. Não se conheciam anteriormente. Lembram que tinha o Cel. Espírito Santo (pai da Terezinha), que era Comandante do forte Copacabana, que havia Também o Cel. Kneipp, pai da Ana Maria, que era da Intendência do Exército e trabalhava com o Gen. Costa e Silva (que viria a ser o próximo Presidente da República na era Revolucionária) e tinha também o Lucena, pai do Eugênio. A Da. Lia atribui ao Brigadeiro Eduardo Gomes o nosso ingresso na faculdade, pois ele não achava certo que alunos aprovados, com média suficiente, ficassem como excedentes sem direito a ingressar na faculdade. A Da. Lilia tinha 2 filhos como excedentes, a Sandra, que era nossa colega e o Arnaud, que depois prestou vestibular para engenharia mecânica na faculdade de Guaratinguetá, onde veio a se formar. Também foram com ele, prestar vestibular nessa faculdade o Raja Gabaglia e o Alexandre.
Da. Lia – eram 549 alunos para ingressar, com apenas 100 vagas na ENQ.
De posse da lista dos aprovados, ligaram para buscar vagas entre os desistentes.
Houve contato com um político que disse que conseguiria vaga apenas para 4 alunos que haviam trabalhado para seu gabinete.
Os mais atuantes eram o Lucena, pai do Eugênio, a Da. Lígia, mãe do Raja Gabaglia e a Da. Lize. Foram elas que estiveram com o Brigadeiro Eduardo Gomes. Tinham diariamente audiências com o Ministro através do Ministério da Educação. Quando houve a reunião com o Presidente Castelo Branco era para o Lucena ir, mas ele achava que a Da. Lize tinha mais jeito e o Cel. Espírito Santo a considerava uma líder nata.

A Comissão de pais era constituída, além delas, da mãe do Alberto, Sr. Eugênio Lucena, pai do Eugênio pelos Coronéis Espírito Santo, pai da Terezinha e Kneipp, pai da Ana Maria, Da. Lígia, mãe do Raja Gabaglia.
A Da. Lilia considera que o Ministro da Educação, Dr. Pedro Aleixo foi quem deu o empurrão inicial na campanha para abertura de vagas. Mas a Da. Lize achava que ele estava enrolando.
Da. Lize também esteve na TV Rio fazendo campanha para a abertura de vagas.
O Da. Lize e o Sr Lucena conseguiram marcar reunião com o Presidente Castelo Branco e o Sr Lucena era quem iria mas ele achou que ela quem deveria falar com Presidente. Ela esteve com o Presidente, no Palácio das Laranjeiras, levando as fotos que o Sr. Eugênio Lucena tirou da Rural, provando que havia espaço disponível para os alunos naquela Universidade. O Presidente ouviu a Da. Lize chamou um oficial de gabinete e mandou que ele resolvesse todos os seus problemas. O Presidente comentou que esses movimentos estudantis eram um problema sério, pois tinham mais aspectos políticos que reivindicações estudantis. Ela afirmou que não sabia nada de política e sim o pleito de abertura de vagas. A Da. Lize tem certeza que o então ministro da Agricultura Nei Braga viu as fotos, uma vez que o seu primo, Sr. Francisco Magalhães, que era chefe do gabinete, viu as fotos com o ministro. Depois da reunião com o Presidente houve outra no gabinete do Ministro Nei Braga, já com as coisas mais definidas em torno da Rural.
Para as vagas em Curitiba Da. Lígia, mãe do Raja Gabaglia e a Da. Lize se empenharam, conseguindo que o Brig. Eduardo Gomes redigisse de próprio punho um bilhete endereçado ao Ministro da Educação, Dr. Pedro Aleixo solicitando as vagas para os excedentes. O próprio Rafael foi a Brasília entregar em mãos ao Ministro o bilhete, que surtiu o efeito desejado.
Em nenhum momento essas Sras. acharam que não conseguiriam as vagas, pois já que nós havíamos passado, tínhamos o direito às vagas.
Quando a Telma foi para a Rural a Da. Lize ficou um pouco apreensiva, pois a filha iria morar longe de casa, num outro ambiente. O Zezinho lembra que os colegas de turma tinham um cuidado grande com as meninas. Suas primeiras impressões foram muito boas. A Telma lembra das festas que eram muito boas e até há o caso de uma amiga sua que conheceu naquela época, em uma das festas, um rapaz, estudante de agronomia e estão casados até hoje.
A Da. Lia, apesar de seu filho ser homem, ficou também apreensiva pelo Rafael ir para Curitiba, longe dos pais e de sua cidade. Quanto ao estudo não ficou preocupada com isso, pois ele sempre foi muito estudioso, muito inteligente e aplicado, mas quanto ao afastamento sim, ela ficou preocupada. Não ficou preocupada quando ele pegou avião da FAB e foi a Brasília falar com o Ministro Pedro Aleixo, pois ela tinha muita confiança nele, sempre foi muito equilibrado, sempre soube se defender muito bem.
Não tinham participado de nenhum movimento desse tipo e não têm conhecimento de movimento similar antes do nosso. O movimento foi espontâneo, sem nenhum líder de fato, embora a organização fosse mais das mães, pois tinham tempo para se dedicarem. Além disso, os pais tinham capacidade de chegar a outros níveis de contato, enquanto os alunos faziam o movimento de rua. A Telma caracteriza que os pais organizavam, conseguiam os contatos, enquanto que o movimento para o povo e imprensa era feito pelos alunos.
Perguntada sobre como soube que havia ficado excedente a Telma não lembra, mas recorda que ficou frustrada pela perspectiva em perder um ano de sua vida e pelos gastos de seus pais. Lembra que resolveu fazer engenharia química porque gostava de química. Diz que na nossa época não tinham muitos meios para escolher profissões, nem era muito comum fazer testes vocacionais. Não sabem identificar qual o pai que tomou a frente do movimento. Acham que foram vários, simultaneamente e em várias frentes, sem ninguém em destaque. A Telma lembra que antes do acampamento já havia movimento de rua, com passeatas, faixas, camisetas, mas não lembra como exatamente começou. Perguntada sobre um evento para pressionar o Presidente Castelo, que aconteceu no Ministério da Fazenda, onde era o gabinete dele no Rio, ninguém lembra disso, mas a Da. Lia lembra que foram ao Palácio Laranjeiras procurando falar com ele e este saiu sem dar a mínima pelota para as pessoas na calçada, embora todos saíssem correndo atrás de seu carro. Nessa pequena multidão tinha pais e alunos, mas não todos, pois não podiam se afastar do pátio do Mec. A Telma gostava da Rural, foram bons anos. Chegou a ser candidata em concurso de miss na Rural. Só reclamava um pouco da comida, mas as festas, as condições de estudo e as amizades compensavam.
O Rafael, embora gostasse de Curitiba, pois a Faculdade era nova, com bons equipamentos, não se adaptava muito a cidade. Da. Lia e seu marido foram a Curitiba levar o filho. O Zezinho lembra que Curitiba não era fácil... O pai do Rafael teve três enfartes e no último o Rafael estava fazendo as provas. O seu pai dizia que assim que o Rafael entrasse na Universidade ele poderia morrer sossegado e veio a falecer dias antes da formatura. A Eliane relata que o Rafael está revivendo uma época especial depois que soube sobre o livro. O Zezinho lembra que foi o Rafael quem marcou essa entrevista.
Lembram de cenas e fatos do acampamento, onde o Samy andava com um pedaço de pau para espantar os intrusos. Houve uma tentativa de invasão de bichas da Cinelândia no acampamento, mas não tiveram sucesso nenhum. A Telma lembra que houve um grupo de teatro que se apresentou no acampamento – um dos recortes de jornais que a Telma trouxe mostra essa cena. (A Telma trouxe vários recortes de jornais da época, organizados em ordem cronológica, fixados em cadernos de desenho – uma preciosidade!). O Diário de Notícias do dia 17/03/66 noticiava que o acampamento já acontecia há 10 dias.
Lembramos que elas devem se orgulhar da eficácia e eficiência do movimento, pois em pouco tempo, pois desde a data que soubemos que éramos excedentes até a abertura das vagas passaram-se apenas 62 dias, isso com o carnaval no meio.
Perguntadas se lembram do Capitão Shwab, lembram que ele andava sempre com o Cel. Espírito Santo. O Movimento foi muito elogiado pela ordem e pelo teor pacífico.
Fizeram referências, entre outros, ao Maranhão, Alberto Macaco e ao Ronald.
Um abraço
Jose Maria

1 Comments:

At 23 fevereiro, 2006 08:02, Anonymous Anônimo said...

Nossa
Estou super interessada na historia de voces.
Quero que minha turma seja assim e estou até procurando juntar mais minhas colegas para ter uma historia dessas quando tiver a idade de voces, não que vocês sejam velhos, nada a ver.

 

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