Entrevistas com Eugênio e Celso
Esta é apenas uma sintese, existem muito mais informações e revelações interessantes, voces nao perdem por esperar o livro:
Entrevista com Eugênio Lucena Filho.
Data: 07/11/2005. Local: Via Parque – Barra da Tijuca – Rio
Entrevistadores: JMM, AB, PCXS.
Por que resolveu ser engenheiro químico?
- Embora o pai fosse famoso fotógrafo social, talvez o melhor do Rio naquela época, o Eugênio não se interessava pelo laboratório fotográfico do pai. Mas ele gostava de matemática, porém sem nenhuma afinidade com desenho e muito menos com a geometria descritiva. Uma carreira de engenharia sem desenho? A engenharia química era uma opção viável.
Como soube do movimento dos excedentes para a abertura de novas vagas?
Através de ligação do Celso Colombo, a quem não conhecia. A princípio não estava com vontade de aderir ao movimento, pois achava que não iria dar em nada. Mas por insistência de sua mãe, Da. Ignes de Souza Lucena foi à reunião na Escola Nacional de Química (ENQ). Da. Ignes era a única mãe presente e, com espírito prático, a partir da lista dos excedentes que a ENQ forneceu, começou a organizar a chamada aos alunos. O Eugênio lembra que nesta reunião já encontrou o Bambu e o Maranhão. Nessa reunião o Adilson, irmão do Ademir, juntou o pessoal que havia feito o curso pré-vestibular da ENQ, onde ele era professor.
Na segunda reunião na ENQ, além da presença da D. Ignes estava também a Da. Lisa, mãe da Telma. Nessa reunião surgiu um documento assinado pelo Sr. Schuab, Capitão dos Bombeiros, advogado e químico, onde, sem conotação política, o documento falava que os excedentes tinham direito a vagas, pois haviam sido aprovados e queriam estudar. Nessa reunião se destacava as lideranças do Ronaldo Guedes Santos e do Alberto Mattos Maia, o Maranhão. Nessa 2ª reunião o Eugênio lembra também da presença dos seguintes alunos: José Maria Lyra, Balaciano, Salustiano, Bambu.
Os excedentes eram estimulados pelos alunos da ENQ, pois na turma de 1963, última turma do governo de João Goulart, houveram excedentes que foram aproveitados.
Por esta ocasião houve entrevista na TV Globo – gravada em Auricon no Jardim Botânico, entrevista arrajada pelo irmão do Eugênio, que conhecia o repórter da TV Globo.
O manifesto do Capitão Shuab, embora bem escrito, era muito longo e, a pedido do Sr. Eugênio Lucena, pai do Eugênio, seu vizinho, o jornalista Carlos José de Assis Ribeiro, resumiu o texto e o transformou as cerca de 20 páginas originais em um texto mais palatável de 3 ou 4 páginas. De posse deste documento sucinto, o Eugênio o levou a seu amigo Alberto Carneiro da Cunha, que por sua vez o encaminhou a seu primo Luiz Fernando, o qual era muito amigo de Caio Mario Pereira, secretário do Dr. Pedro Aleixo, Ministro da Educação. A partir daí conseguiu audiência com o Ministro, onde foi aventada a hipótese de abertura de vagas na Universidade Rural do Brasil, já que na ENQ não havia meios físicos da absorver os excedentes. O avô do Eugênio escreveu carta ao jurista e pensador católico Dr. Gustavo Corção, procurando sensibiliza-lo para o problema dos excedentes, lembrando-o que havia jurisprudência da época do governo Goulart.
O pai do Eugênio, percebendo que havia um jogo de empurra entre os Ministérios, ele falou da necessidade de pressionar o governo. Como os alunos já tinham o hábito de ficar no pátio do Ministério da Educação, hoje Palácio Capanema, daí para o acampamento foi um pulo. Durante o acampamento houve um episódio engraçado: o acampamento foi “invadido” pelas bichas da Cinelândia e um deles se chamava Help.
O pai do Eugênio havia feito as fotografias sociais do casamento do Ministro Nei Braga e este lembrava do fato, quando da entrega da placa de agradecimento pela abertura do Curso de Química na Universidades Rural, àquela época afeta ao Ministério da Agricultura.
Entrevista com Celso Colombo Filho
Data: 22/11/2005. Local: Pizzaria Raul – Barra da Tijuca – Rio de Janeiro.
Entrevistadores: JMM, AB, PCXS.
Por que resolveu ser engenheiro químico?
Com 14 anos resolveu trabalhar na fábrica de biscoitos da família, a famosa Piraquê, sendo designado para o laboratório de análises químicas. Lá, foi orientado pelo químico Gunther Pappi que lhe despertou o interesse pela química. Celso trabalhou mais de um ano no laboratório, onde analisava matérias primas e produtos acabados.
Foi estudante do Externato S. José e depois do Curso Bahiense. Seu pai lhe prometera um Karmann Ghia, caso fosse aprovado no vestibular. Prestou vestibular para engenharia operacional e para engenharia química. Passou na engenharia operacional, mas seu pai disse que “essa não estava no nosso trato”, portanto a que valia era o vestibular da ENQ.
Quando foi ver a lista de aprovação da ENQ e viu que seu nome não estava entre os 100 primeiros exclamou: “perdi meu Karmann Ghia!”. A moça a sua frente, Ana Maria Kneip, começou a rir. A seu lado verificando a lista, além da Ana estavam João Lombarinhas Alcure e Alexandre Peres Bado. O Celso, não conformado com a perda de seu Karmann Ghia, começou a incitar seus colegas para a formação de um movimento para a abertura de mais vagas. O Alcuri propôs reunião em sua casa, um castelo na subida para o Alto da Boa Vista e aí começou o movimento de inclusão dos aprovados, que ainda não eram chamados de excedentes.
Como primeira resolução foi decidida que precisavam ter acesso à lista dos aprovados e a dividiriam entre eles para chamar um por um dos aprovados. Da parte da lista que coube ao Celso, a primeira pessoa a responder ao telefonema foi o Alberto Macaquinho. Depois aderiram o Eugênio, Ronald e o Sammy. As reuniões foram se estendendo pelas casas dos diversos envolvidos, como na casa da Telma, na do Bala, na do Catrambi e outras. Desde essas primeiras reuniões quem mais o impressionou foi o Ronald, por sua facilidade de expressão e poder de síntese.
Consultaram professores da ENQ, que lhes disseram que a Universidade Rural tinha interesse em abrir curso de química e dispunha de excelentes espaços e equipamentos para tanto. De posse desta informação, o Celso foi, no fusca azul de seu pai à Rural, levando o Ronald, Maranhão, Eugênio e o Bala. Lá falaram com o Prof. Alvahido, que era o catedrático da cadeira de química. Por recomendação do Prof. Alvahido, foram ao Ministro da Agricultura Nei Braga, onde mostraram suas reivindicações quanto à abertura de vagas na Rural para os excedentes e disseram que iriam iniciar um movimento pacífico nesse sentido.
Escreviam manifestos e os enviavam às redações dos jornais, foram a programas de televisão e fizeram o acampamento no pátio do Ministério da Educação.
O resultado foi a abertura do curso de química na Universidade Rural, com vagas para 100 alunos. Havia alojamento para os 50 primeiros e os demais tiveram que procurar alugar quartos ou casas nas cidades próximas, já que a Rural é longe de tudo. O Sr. Celso pai, alugou uma casa em Campo Grande para seu filho, a qual a dividiu com o Maranhão, Surf Boy, Ronald, Aranha e Macaco. Ah, o Karmann Ghia foi comprado na Auto Modelo pago em doze promissórias tiradas da mesada do Celso...
Pessoas que o Celso lembra no acampamento: Sammy, Moscou, Surf, Terezinha, Ana Maria, Telma, Toninho, Eugênio, Macaco, Alexandre, Maranhão, Pio, Ronaldo, Baixo, Diana, Bala, Ronald, Catrambi, Érico, Jcchok, Silvia, Mario Newton, Rafael, além dele próprio.
O Baile dos Calouros, no Clube Monte Líbano foi organizado por ele, Surf, Ronald, Aranha, Ana Maria. O Celso falou com o MPB4. Deu um grande prejuízo...

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