SUA EXCELÊNCIA O EXCEDENTE
O dia a dia da criação do livro "Sua Excelência o Excedente", a saga de um grupo de jovens que não se conformou com a adversidade, criou uma Faculdade de Quimica, otimizou uma Universidade, abriu caminho para a criação de diversos cursos superiores e possibilitou a formatura de dezenas de milhares de profissionais de nivel superior. Um grupo modificador e sua historia de empreendedorismo
09 novembro 2009
05 novembro 2009
A GÊNESE
O livro Sua Excelência o Excedente – A história da criação de uma faculdade brasileira começou a nascer durante o encontro dos 35 anos de formatura da turma de Engenharia Química da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, aliás, a primeira turma de engenharia química da Universidade. Esta primeira turma foi constituída por alunos que prestaram vestibular para a Escola Nacional de Química da UFRJ – Universidade Federal do Rio de Janeiro, na Praia Vermelha – Rio de Janeiro, foram aprovados, mas ficaram como excedentes – aprovados alem das vagas existentes - e desenvolveram um movimento para conseguir estudar. O movimento foi super exitoso pois conseguiram mais do que pretendiam: conseguiram criar uma Escola de Química na então Universidade Rural do Brasil, que não tinha esse curso.
Nesse encontro dos 35 Anos, durante as conversas em que as lembranças dos tempos passados afloram, fomos dando um zoom nos diversos tipos de conversações que ocorriam nos sub-grupos e nos fixamos no grupo onde estava o Celso Colombo que falava sobre o inicio do movimento. A conversa estava muito interessante pelos detalhes lembrados pelo Celso e melhorou quando agregamos àquele grupo Eugênio, Ronald e Belaciano, citados como articuladores importantes do movimento.
Ficamos impressionados, todos, com o tempo que durou a luta dos excedentes, pois, se as lembranças não falhavam do momento em que começou até a matrícula na Rural tinham se passado menos de três meses, um tempo extremamente curto para o porte do realizado.
A (re)descoberta da relevância do feito não nos deixou em paz até que decidimos pesquisar um pouco mais o assunto. Assustados com a descoberta de que, mesmo naqueles tempos politicamente conturbados, tínhamos na verdade conseguido uma realização formidável, pois do momento em que os alunos verificaram a lista dos classificados e o início das matrículas no recém criado curso de Engenharia Química da Rural se passaram apenas 50 dias decidimos procurar mais.
Aprofundamos-nos na pesquisa e não paramos até entregar pronto, editado pela Editora da UFRRJ, o livro Sua Excelência o Excedente que conta a história daquela turma e da criação da Escola. O livro não é um relato de reminiscências do tempo de escola, nem se preocupa em relatar casos engraçados dos estudantes. Ele foi elaborado a partir de uma pesquisa ampla e consistente que resgata a história do movimento e permite mostrar pontos extremamente relevantes do movimento, da criação da escola e do relacionamento daqueles excedentes na universidade e de como o relacionamento com os demais alunos afetou os diversos segmentos da universidade e contribuiu para o seu engrandecimento.
O livro está disponibilizado e neste blog apresentamos, de forma sucinta, alguns aspectos importantes do período da elaboração e outros incorporados. Apresentamos também, em detalhes, diversos documentos que deram consistência a história, mas que não puderam ser inseridos no livro, para não torná-lo pesado. Estes documentos são fonte de pesquisa para quem quiser se aprofundar ainda mais no assunto.
Todos os comentários ou críticas serão extremamente bem vindos e certamente os aproveitaremos nas próximas edições.
SINOPSE
Em 1966 mais de 800 jovens prestaram vestibular na Escola Nacional de Química. A área era apreciada por aqueles que tinham visão de futuro, com o objetivo de trabalhar na criação de uma indústria de base forte, na busca de melhores condições de vida para a população e da afirmação tecnológica do país.
A ENQ tinha 100 vagas disponíveis. Os aprovados além dos 100 primeiros classificados foram considerados excedentes, excediam a quantidade de vagas existentes e não podiam frequentar a faculdade. O sonho tornou-se pesadelo.
Os jovens vestibulandos contestaram a exclusão social que estava sendo efetivada pela universidade, não se conformando com a discriminação. Desencadearam um movimento pelos seus direitos: tinham passado no vestibular e queriam vagas para estudar.
O CALDO CULTURAL
Com a idéia da elaboração do livro apareceu de imediato, a intenção de verificar sua importância histórica e seu valor cultural. Para checar estas variáveis preparamos um projeto para apresentação aos organismos de incentivo cultural do governo federal – Lei Rouanet- e do estado do Rio de Janeiro – Lei do ICMS Cultural. Comprovando a relevância que imaginávamos, o projeto foi aprovado nas duas instituições, o que nos possibilitava procurar patrocínios junto a empresas que poderiam se beneficiar de descontos em impostos federais – no caso da Lei Rouanet - e de impostos estaduais no caso do ICMS Cultural.
Apesar da manifesta boa vontade do Celso Colombo Filho em patrocinar a edição do livro, inclusive cumprindo formalidades para tanto junto ao Governo Estadual, acabamos preferindo não fazer uso de nenhum patrocínio e levamos a cabo a tarefa assim mesmo. Nosso patrocínio maior foi a vontade que tínhamos de oferecer a vocês e ao público leitor interessado na história deste país, principalmente aquela mais voltado para a educação, um relato emocionante como este dos excedentes da ENQ/1966.
As declarações de aprovação do projeto na Lei Rouanet e na do ICMS Cultural encontram-se a seguir:
CAPA DO LIVRO
Quando foi preparada a boneca do livro para fazer prospecção junto a possíveis interessados em patrocinar a edição, foi elaborada uma capa pela arquiteta Cybele Barros, para vestir esta boneca e torná-la mais atraente. O desenho adotou as cores primeiras da nossa escola - grená e cinza – e utilizou uma imagem, veiculada em um periódico da época, de excedentes em passeata na rua da cidade, simbolizando a luta pelas vagas: uma capa forte e ilustrativa do movimento.
A capa primeira (voce pode ampliar a capa para ler e ver melhor, basta clicar em cima da imagem; o mesmo vale pra todas as demais imagens):

Posteriormente, com a edição acertada com a EDUR – Editora da UFRRJ, a capa teve que acompanhar o modelo padronizado, e que deve ser seguido. O modelo permite variação nas cores das molduras laterais, mantendo-se, no entanto a cor da base e a paginação. Assim nasceu a capa do livro Sua Excelência o Excedente, com a inserção da cor cinza nas molduras, o que nos aproxima dos tempos do início da turma. A capa pode ser visualizada a seguir:
OS AUTORES
Nós, os autores, Antonio de Padua Gomes Barbosa, Jose Maria de Mesquita Jr. e Paulo Cesar Xavier da Silveira, ficamos muito orgulhosos com a concretização do projeto e a edição do livro, pela diversidade e relevância das ações empreendidas pelos alunos em sua caminhada da origem – excedentes, até o vivenciamento da excelência, que não é um fim, mas uma jornada que nunca termina.
Os três autores, colegas de faculdade, desenvolveram, desde a formatura, uma amizade que veio se consolidando ao longo do tempo e que acabou por torná-los muito próximos.
Ajudaram nessa aproximação a afinidade de algumas características comuns como a capacidade de observação da vida e dos acontecimentos, um elevado sentimento de solidariedade e a vontade de aproximar as pessoas, de fortalecer a amizade.
Antonio nasceu na cidade do Rio de Janeiro – RJ em 1947;trabalhou na indústria química e, dando seguimento a suacaracterística empreendedora
e multifacetada, construiunegócios próprios e, paralelamente, ajuda na divulgação de mensagens de fundo espiritualista de apoio moral e material.
Um batalhador sempre!
Jose Maria nasceu em Aracui – ES, em 1948; trabalhou na indústria química; fascinado pela profissão e pela natureza, fez especialização em engenharia ambiental ededica sua vida profissional a causa ambiental. Integrador familiar e dos amigos, fez o Caminho de Santiago de Compostela em busca da sua espiritualidade.
Peregrino sempre!
Paulo Cesar nasceu no Rio de Janeiro – RJ, em 1945;trabalhou na indústria química; com especialização em engenharia econômica, desenvolveu grandes negócios para as empresas onde trabalhou. Eterno dedicado a família e aos amigos,
Paulo viveu uma vida prezando a alegria e procurando sempre o fortalecimento dos encontros. Um pólo disseminador de alegria sempre!
Juntos escreveram este livro que descreve a luta de um grupo de excedentes e que retrata também, a história de suas vidas.Paulo nos deixou em abril deste ano, mas continua presente no coração, lembrança e mente dos que o conheceram, e nesta história, da qual é personagem e contador.
O PREFÁCIO
Com a minuta pronta pensamos que um prefacio do reitor da UFRRJ daria relevância ao escrito e, do pensamento à ação, buscamos contato com o Reitor Ricardo M. Miranda. Homem extremamente ocupado com seus afazeres e com a agenda cheia, ainda assim mostrou interesse e nos propôs chegar mais cedo no Aeroporto Internacional do Galeão quando de uma viagem para nos encontrarmos e falarmos sobre o livro. Assim foi feito e entregamos a ele a minuta do livro devidamente encadernado e encapado. Ele se mostrou entusiasmado com o projeto e disse que ia ler com atenção e, se gostasse, faria o prefacio, proporia ao Conselho Editorial a avaliação para edição e caso positivo, gostaria de fazer o lançamento do livro como parte do inicio das comemorações do Centenário da Universidade Rural, que começariam em 20 de outubro de 2009, durando até a data do centenário, 20 de outubro de 2010.
Seguiu-se uma série de acontecimentos felizes e a idéia prosperou até sua execução conforme pensado. Tudo aconteceu como previsto.
O Reitor Ricardo M. Miranda escreveu o prefácio onde ressalta o aspecto histórico do livro, a importância do relato situar o momento político que o país viveu naquele período, a problemática do relacionamento dos alunos que estavam e os que entravam como excedentes, bem como a importância que tiveram para o crescimento da universidade.
Transcrevemos o prefácio a seguir:
prefácio
“Sua Excelência o Excedente – a história da criação de uma faculdade brasileira”, não é só um livro de memórias de três colegas de universidade. Trata-se de um importante registro histórico, que faz parte de uma outra história, a trajetória de 100 anos de educação - 1910 à 2010 - da ESAMV a UFRRJ.
Em 20 de outubro de 1910 o então Presidente da República Nilo Peçanha e o Ministro da Agricultura Rodolfo Nogueira da Rocha Miranda assinaram o Decreto nº 8.319 cujo caput, estabelece a resolução que: “Crêa o Ensino Agronômico e approva o respectivo regulamento”.
Este Decreto criou a Escola Superior de Agricultura e Medicina Veterinária - ESAMV, dando início a um longo processo de construção de um ambiente acadêmico tão decisivo para a história da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro como seu próprio nascimento enquanto instituição.
Em 1913, após um pouco mais de dois anos para sua efetiva organização, a Escola recém criada, inicialmente vinculada ao Ministério dos Negócios da Agricultura, Indústria e Commercio, começou seu funcionamento no bairro do Maracanã, na cidade do Rio de Janeiro. Posteriormente, passou pela Vila Militar, pela cidade de Pinheiro, por Niterói e pela Praia Vermelha.
Com a reorganização do Centro Nacional de Ensino e Pesquisas Agronômicas – CENEPA, em 1943, a ESAMV recebeu o nome de Universidade Rural. Em 1948, instalou-se definitivamente no então Distrito de Seropédica, município de Itaguaí, na área do CENEPA. Passou a se chamar Universidade Rural do Brasil em 1963, depois Universidade Federal Rural do Brasil e, em 19 de maio de 1967, o Decreto nº 60.731 estabeleceu o nome atual de Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, vinculando-a ao Ministério da Educação.
Ao longo deste período, da ESAMV à UFRRJ, esta instituição que começou como referência nacional nas áreas de agronomia e veterinária, ampliou sua atuação em ensino, pesquisa e extensão, em todas as áreas do conhecimento, chegando, a 2010, com a oferta de 55 cursos de graduação, em diferentes modalidades, turnos e campi. Consolidou-se como centro de excelência na área de pesquisa, com 18 cursos de pós-graduação, 9 dos quais com mestrado e doutorado, além do primeiro doutorado binacional – Brasil/Argentina, aprovado pela Capes/Mec.
Nesta história, insere-se ¨Sua Excelência o Excedente”, que relata a criação, no ano de 1966, da Escola que originou o atual Curso de Engenharia Química na Universidade Rural, em plena ditadura militar, fruto da luta de um grupo de estudantes aprovados mas não classificados no concurso vestibular para a Escola Nacional de Química da Universidade do Brasil, hoje UFRJ. Foram 63 dias de intensos contatos, reuniões, encontros e, sobretudo, superações e conquistas.
Leitura imperdível para o resgate da memória de parte dos primeiros anos do golpe militar de 31 de março de 1964, contextualizada nos cenários local, nacional e mundial, referenciada na vivência dos excelentes excedentes, verdadeiros protagonistas desta história.
O lançamento deste livro faz parte integrante das comemorações dos “100 ANOS DE EDUCAÇÃO (1910-2010) DA ESAMV À UFRRJ”, constituindo-se em importante constatação do contínuo cumprimento da missão institucional, de praticar, indissociavelmente, o ensino, a pesquisa e a extensão, de forma pública, gratuita e de qualidade, em prol da formação cidadã e da incessante busca da melhoria da qualidade de vida do povo brasileiro e de toda a humanidade.
Ricardo Motta Miranda
Reitor da UFRRJ
A PESQUISA
A PESQUISA
Para escrever o livro foi necessário realizar uma longa pesquisa, que durou três anos e foi desenvolvida em três frentes, a saber:
1.- Pesquisa da memória do movimento, contemplando lembranças dos protagonistas e atores. Inicialmente foi elaborado um questionário encaminhado por email a cada um dos envolvidos, visando a contextualização dos fatos; em seguida foram feitas entrevistas diretamente com diversos dos participantes dessa aventura. A cada entrevista mais pessoas eram lembradas como importantes para dar seus depoimentoa, o que aumentou muito o horizonte inicial das entrevistas. Estas foram gravadas e depois transcritas, de forma profissional, para o meio impresso visando facilitar a avaliação, conferência e confirmação das informações, para então serem usadas no relato. Foram realizadas entrevistas com 21 colegas, da Rural e de Curitiba, e três mães do movimento. Algumas destas entrevistas estão no corpo deste blog e outras serão adicionadas sequencialmente.
2. Pesquisa documental, envolvendo consultas a periódicos e revistas da época, na Biblioteca Nacional e em acervo próprio de colegas, que mantiveram recortes e documentos guardados com muito carinho e competência, como se soubessem que um dia seriam usados para contar a história da história que construíram; como guardiões da memória se sobressaíram a Telma Bravo, o Marcos Antônio Surf Boy e o Vitor Catramby. No período mencionado - de fevereiro/1966 a abril/1966 - o assunto “luta dos excedentes da química” saiu, todo dia, em pelo menos dois jornais importantes, entre eles Diário de Notícias, Jornal do Brasil, Última Hora e o Globo, com direito ainda a diversas reportagens de capa, editoriais, informes políticos, ensaios e charges.
As reportagens consultadas e que serviram de base para a elaboração do livro, dando consistência e confiabilidade a história, constituem uma valiosa fonte de pesquisa para quem quiser se aprofundar no assunto e foram todas digitalizadas. A documentação vai ser disponibilizada em título próprio neste blog, dividida por periódico (p.e. PESQUISA - Jornal CORREIO DA MANHÃ) para facilitar a pesquisa:
3. Pesquisa junto a instituições públicas que tiveram relação com o assunto, a saber:
3.1. em documentos da URB/UFRRJ;
3.2. em Atas do Conselho Universitário da URB/UFRRJ: cópia da Deliberação 05/66 do CONSU que aprovou a criação do nosso curso encontra-se abaixo:

3.3. em documentos do Conselho Federal de Educação, hoje Conselho Nacional de Educação: cópia do Parecer 524/68 do CFE favorável a aprovação do Curso de Engenharia Química, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, encontra-se em a seguir:


3.4. junto a outros órgãos federais: cópia do Decreto nº 63.959, de 6 de janeiro de 1969, que concede reconhecimento ao Curso de Engenheiro Químico da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, assinado pelo Presidente da República A. Costa e Silva:
4. Pesquisa fotográfica junto aos nossos colegas e outras fontes, o que nos permitiu fazer um verdadeiro painel turístico/social/esportivo/social/emotivo do período que convivemos na Rural e depois, no pós faculdade, quando dos encontros qüinqüenais, o que nos mostra a evolução da turma através dos anos.
O registro fotográfico:



Outros painéis estao sendo preparados e
serão adicionados proximamente.
5. Pesquisa de desenhos, cartazes, convites, documentos relacionados a época, alguns se tornando verdadeiros símbolos para a turma. Documentos como o estudo para elaboração dos cartazes dos dois primeiros bailes realizados, os cartazes nas versões finais, os convites do baile oferecido pela turma aos calouros de 1967 (ambos idealizados e executados pelo Surf Boy), os diversos logos em plástico aderente, foram cuidadosamente resgatados e estão disponibilizados a seguir:
5. Pesquisa de desenhos, cartazes, convites, documentos relacionados a época, alguns se tornando verdadeiros símbolos para a turma. Documentos como o estudo para elaboração dos cartazes dos dois primeiros bailes realizados, os cartazes nas versões finais, os convites do baile oferecido pela turma aos calouros de 1967 (ambos idealizados e executados pelo Surf Boy), os diversos logos em plástico aderente, foram cuidadosamente resgatados e estão disponibilizados a seguir:






































